A fotografia é um universo carregado de segmentos, estilos e modelos. O lifestyle foi o meu escolhido para direcionar os ensaios fotográficos de debutante e pré-wedding. Mas você sabe que estilo é esse? Fique neste artigo que iremos destrinchar o conceito.
Muito além do cotidiano
Lifestyle é um termo do inglês: life (vida) + style (estilo). Em tradução livre, podemos defini-lo como uma fotografia do estilo de vida. De início, você pode pensar: "Espera aí! Se você vai fotografar o meu estilo de vida, então vai fotografar a minha rotina. Que coisa mais sem graça!" Claro que não!
Antes de continuar, quero te fazer uma pergunta: o seu verdadeiro estilo de vida se resume à sua rotina? Não sei o que você respondeu, mas posso te garantir que não. É aqui que começa a nossa encantadora viagem pelo mundo da fotografia lifestyle.

O peso da autenticidade
O seu verdadeiro estilo de vida reflete tudo o que você é como pessoa: mentalidade, aspirações, planos, projetos, preferências, trabalhos, hobbies, orientações e comportamento. Trata-se da sua verdadeira essência.
Em muitos casos, a rotina é apenas uma carcaça que dificulta a percepção dessa essência, motivo pela qual a vida pode parecer chata e sem graça. No lifestyle, a fotografia busca exatamente o caminho inverso: o de explorar a verdadeira autenticidade em todas as dimensões que caracterizam quem você realmente é.

Poses: o vazio que o lifestyle abomina
Esqueça as poses. Deixe-as para as modelos profissionais em seus trabalhos de moda. No lifestyle, fazer poses pode ser cansativo e entediante. Além disso, se você não é modelo profissional, por que diabos forçaria algo que você não é?
Na fotografia tradicional, a pose é uma coisa pré-fabricada, que se assemelha a uma linha de produção. Por isso tantos se preocupam em "decorar poses". E sofrem. Ah, como sofrem! No lifestyle, a fotografia é uma construção.

Um caminho em construção
Tudo começa pelo conhecimento da sua verdadeira personalidade. Nele, o fotógrafo é responsável por conduzir, orientar e auxiliar nessa conversa. Como um lapidário, é quem estimula a descoberta daquilo que há de maior beleza em você.
Eu utilizo alguns recursos para isso. De início, aplico um pequeno formulário com perguntas bem pessoais. É comum que, ao se deparar com as perguntas, a debutante ou casal "caia em si" e se dê conta de que nunca pensou sobre aquilo. É o primeiro caminho da autodescoberta.
Com as respostas em mãos, agendo uma ou mais entrevistas para conhecer profundamente quem irei fotografar e, principalmente, estimular um autoconhecimento ainda mais aprofundado e um autoencantamento que, possivelmente, ainda não tinha experimentado.

Relacionamento antes, fotografia depois
Observe que, no descrito até aqui, ainda não peguei a câmera nas mãos. No lifestyle, essa é a última coisa que faço. Antes, há todo um caminho a ser percorrido. E muito relacionamento também.
Uma das características do lifestyle é que não pode ser qualquer fotógrafo. Na fotografia de moda ou jornalística, o domínio dos conceitos técnicos muitas vezes basta. No lifestyle, sem uma base sólida de confiança e cumplicidade, nada feito. Daí o zelo pela pessoalidade e pelo diálogo.
Nem o melhor fotógrafo do mundo está habilitado para fotografar já no primeiro contato; há um longo caminho de construção antes disso.

A Direção como Roteiro: Onde a Vida vira Cena
Lembra quando mencionei a ausência de poses? É porque, no lifestyle, a pose é substituída pela direção fotográfica. Diferente da pose, a direção não é fabricada, muito menos algo rígido que deixe alguém desconcertado diante da câmera.
A direção fotográfica é fruto de um roteiro construído desde o primeiro contato — um roteiro que considera todas as aspirações, preferências, limitações e expectativas da pessoa fotografada. Como profissional, cabe a mim orientar a melhor maneira de se posicionar diante da luz, mas, a essa altura, isso já não é um problema.

O clique como consequência, não como causa
Finalmente, chega o grande dia do ensaio. É quando finalmente pego a câmera. A essa altura, ela já não é uma barreira. Não há "travamentos", medo da lente ou a pressão por uma perfeição plástica. O que existe é um registro fluido.
É o momento de relaxar e curtir a experiência. É por isso que o resultado final costuma causar um choque positivo: "Nossa, eu nem sabia que era assim, mas esse sou eu!".
É o autoencantamento materializado em luz e sombra, eternizando o seu verdadeiro eu que, talvez, você ainda não conhecia.

O Cenário como personagem
Não se engane: o cenário não é o protagonista; é apenas um personagem do ensaio. "Tá, mas o que você quer dizer com isso?" Quero dizer que você não precisa de um cenário paradisíaco ou maravilhoso. Estou ali para fotografar você, e não a paisagem.
Já fotografei em haras, estacionamentos, igrejas, ruas e até pescarias. São cenários perfeitos para um lifestyle, asssim como parques, restaurantes, praias, viagens...
Não importa qual seja, o local deve refletir a sua autenticidade; o cenário tem que ter conexão direta com você, com a sua história e com a sua memória afetiva, na história pessoal de cada um. História que nunca se repete.

Essa é a singularidade da fotografia lifestyle: o ensaio que fotografo hoje nunca mais fotografarei na vida. Primeiro porque as pessoas são diferentes; segundo porque, mesmo que eu fotografe a mesma pessoa no futuro, o momento será outro. Ela já não será a mesma.